Derek McInnes vestiu o fato do clube e apresentou-se sem rodeios na primeira conferência de imprensa como treinador dos Rangers. Aos 54 anos, o técnico descreveu o cargo como um sonho antigo, mas evitou promessas grandiosas: o objetivo passa por mudar padrões e mentalidade para devolver os bons tempos a Ibrox.
“Se não ganharmos troféus, dentro de pouco tempo estará aqui outra pessoa”, admitiu, antes de reforçar a confiança no projeto: “Com os recursos, a infraestrutura e o apoio da direção, esta tem de ser uma equipa vencedora.”
Ao lado de McInnes, o diretor executivo Jim Gillespie foi taxativo: o antigo treinador de Hearts, Kilmarnock e Aberdeen foi “o único candidato” ao lugar. Segundo Gillespie, quando o RB Salzburg avançou por Danny Rohl, os Rangers já tinham McInnes identificado e prontos a avançar. O próprio técnico revelou que a chamada surgiu de forma surpreendente, em período de férias, e que a decisão foi rápida, apesar de reconhecer que teria “adorado ter treinado o Hearts por mais tempo” após uma época “especial”.

Embora elogie o desempenho europeu recente do clube, McInnes foi claro quanto às prioridades: os adeptos “têm sofrido” pela escassez de troféus. Em 15 anos, os Rangers somaram apenas um título de campeão, uma Taça da Escócia e uma Taça da Liga. “Temos de voltar a ser relevantes internamente, ganhar troféus em casa. Isso é fundamental”, vincou.
O novo treinador reconheceu que a equipa tem sido alvo de questões sobre a mentalidade nos momentos decisivos — algo que diz conhecer bem, lembrando que na última época superou os Rangers enquanto treinador do Hearts. Por isso, o perfil de reforços vai ajustar-se: “Trabalhamos para trazer jogadores capazes de lidar com a exigência e acrescentar a qualidade que precisamos. O que aconteceu na última época não chega.”
Em Ibrox, McInnes assume o cargo de “manager”, e não apenas de “treinador principal”, sinal de maior envolvimento além do relvado. Sobre o recrutamento, explicou tratar-se de um processo colaborativo com o diretor técnico Dan Purdy, o diretor desportivo Stig Inge Bjørnebye, a administração e o departamento de scouting — mas com a decisão final a pertencer-lhe. “Tenho garantias de que cada jogador contratado terá a minha aprovação final”, sublinhou, admitindo que, embora exista um modelo, nem todas as contratações serão pensadas apenas para desenvolvimento e revenda.
Quanto à filosofia de jogo, McInnes foi pragmático: “Aqui é preciso ganhar.” Ainda assim, quer replicar a agressividade e consistência que o seu Hearts apresentou em casa na época passada, devolvendo o “fator medo” a quem visita Ibrox. “Não podemos permitir que as equipas se sintam confortáveis. Ser Rangers exige qualidade, identidade e intensidade para vencer no plano doméstico.”
