Fabio Paratici garantiu que a Fiorentina vai assentar o seu projeto na competitividade e na sustentabilidade a longo prazo. Em conferência de imprensa de balanço no Wind3 Media Center do Rocco B. Commisso Viola Park, o diretor desportivo explicou que a propriedade "forte e sólida" reiterou a ordem para construir uma equipa capaz de competir e de perdurar no tempo — um caminho que exigirá paciência.
Objetivos e ambição no centenário Sem fechar metas em posições, Paratici preferiu falar em pontos e evolução sustentada. "A minha mentalidade é competitiva: não aceito ficar sempre em sétimo ou oitavo", afirmou, admitindo que um eventual passo atrás num ano pode servir para dar dois em frente no seguinte. O dirigente reforçou que é essencial distinguir sonhos de objetivos e que não promete prazos: interessa fazer as coisas bem para, com o tempo, fazer mais pontos do que nas últimas épocas.
Mercado, orçamento e gestão do plantel Questionado sobre o orçamento, Paratici recusou números, lembrando que resulta do todo do clube — receitas, despesas, estádio e melhorias estruturais — e não apenas do mercado. Assinalou ainda que o plantel terá de ser equilibrado: "Temos muitos jogadores sob contrato; ou se vende ou não há espaço. Não podemos ter mais de 23-25 jogadores." Sobre o peso salarial, frisou que a ambição não depende do monte de salários mas de construir algo sólido e não centrado numa só figura. Reconheceu também que, como quase todos os clubes europeus, a Fiorentina não controla totalmente o seu destino no mercado.
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Kean, Dodo, Ndour e os jovens Paratici descreveu Moise Kean como "património de Itália e da Fiorentina" e deixou claro o desejo de vê-lo como o número 9 da equipa. Sobre eventuais saídas ou casos individuais como Solomon, preferiu não revelar conversas internas. Dodo, disse, "tem ambições" e o clube verá o que acontece. Já Ndour está no centro do projeto, embora precise de tempo e equilíbrio na avaliação. O dirigente destacou a importância de cuidar do percurso de jovens como Comuzzo e valorizou a geração que venceu no setor de formação, citando nomes como Kouadio, Kospo, Braschi e Balbo: o essencial é transformá-los de talentos potenciais em jogadores feitos. Acrescentou que uma equipa Sub-23 faz parte da visão de pós-formação, mas só avançará quando o clube estiver pronto.
Vanoli e a escolha de Fabio Grosso Paratici agradeceu a Vanoli pelo trabalho realizado e explicou que, terminada a época, houve um período de reflexão para evitar decisões emotivas. A opção por Fabio Grosso, garantiu, foi clara: "Era o único candidato em mente." O perfil procurado? Um treinador moderno, com pensamento também diretivo, capaz de trabalhar no campo e de entender tudo o que rodeia o clube, incluindo a comunicação interna e externa.
Estrutura, apelo do clube e processos O diretor desportivo rejeitou a ideia de que a Fiorentina tenha perdido apelo: a história dos clubes mantém o seu poder de atração. O fosso para as grandes, sublinhou, constrói-se (ou reduz-se) com visão, competência e estrutura. Sobre o departamento médico, indicou que o foco passa mais por otimizar processos do que por trocar pessoas. Quanto à (auto)financiamento, lembrou que o mercado está ligado ao desempenho global do clube — uma final de Taça, por exemplo, gera receitas que aliviam o impacto no orçamento.
Mundial e mensagem aos adeptos Paratici não crê que um Mundial de seleções deva ditar o mercado: os profissionais avaliam jogadores durante a época, nas equipas e nas competições europeias; a prova pode abrir caminho, mas não deve ser o farol. Aos adeptos, deixou uma nota de realismo: não promete sonhos sem factos que os sustentem. "Trabalhamos para que, em novembro, alguém possa sonhar — mas para isso é preciso, antes de mais, um clube forte."
