Ståle Solbakken manteve-se firme na defesa da sua escolha técnica frente à França. O selecionador da Noruega apresentou uma equipa B e deixou Erling Haaland e Martin Ødegaard no banco durante os 90 minutos da partida da fase de grupos, que terminou com derrota por 1-4, decisão que lhe valeu críticas intensas.
“Voltaria a fazê-lo todos os dias da semana. Não precisamos de gastar mais tempo com isso”, afirmou o norueguês, explicando que a prioridade foi gerir o desgaste para os 16-avos de final do Mundial 2026, já garantidos antes do duelo com os gauleses. Solbakken promoveu dez alterações no onze inicial com o objetivo de poupar os principais elementos para o jogo a eliminar com a Costa do Marfim.
Segundo o técnico, havia apenas um cenário previamente definido em que Haaland e Ødegaard seriam lançados: “A partir da última pausa para hidratação, a meio da segunda parte. Se o jogo estivesse ao nosso alcance, entrariam. Eles sabiam disso e ficou combinado antes.”
Questionado se a decisão teve em conta um eventual caminho mais favorável no torneio — evitar, por exemplo, um cruzamento com Suécia e Alemanha e preferir Costa do Marfim e, possivelmente, Brasil —, Solbakken rejeitou essa leitura: “É muito difícil dizer. Imaginem um Noruega–Suécia e a Alemanha ao seu melhor contra o Brasil ao seu melhor… é impossível prever.”
O selecionador sublinhou que a Noruega joga sempre para ganhar, independentemente do adversário. “Preparámo-nos para o cenário em que teríamos de bater a França para vencer o grupo. Mas havia quatro ou cinco jogadores que nunca conseguiriam fazer 90 minutos naquele ritmo. Custar-me-ia acreditar que outra solução seria melhor do que os que jogaram hoje. Ainda assim, tínhamos um plano para o final do jogo, caso o resultado o permitisse.”
Solbakken reconheceu algum desconforto pelo desaire dos adeptos que viajaram até Boston na expectativa de ver Haaland e Ødegaard defrontarem Kylian Mbappé. “É a única coisa que me dá um pequeno sentimento de culpa. Os adeptos, na Noruega e aqui, queriam ver o Erling, o Martin e outras estrelas. Mas estamos aqui para ir o mais longe possível. Já lhes demos algumas vitórias e, assim, mais jogos para ver. O bonito de um Mundial é isso. Não podemos ser o país ingénuo que vem só participar. Tenho de tomar as decisões que acredito levarem-nos mais longe.”
Na televisão sueca, o analista Jens Fjellström apoiou a estratégia: “É um treinador teimoso, que faz o que acredita ser o melhor para a equipa, independentemente do que os outros pensam. Ao dar descanso aos titulares, ficam todos frescos para o mata-mata e ainda ganha mais alguns dias de treino com o seu melhor onze. Isso é valioso.”
A Noruega defronta a Costa do Marfim na terça-feira, em Dallas, nos 16-avos de final. Em caso de vitória, os escandinavos chegam às oitavas de final de um Mundial pela primeira vez desde 1998.
