Donovan e Howard defendem Pulisic após eliminação dos EUA no Mundial
Christian Pulisic tornou-se um dos principais alvos das críticas após a eliminação dos Estados Unidos nos oitavos de final do Mundial 2026, diante da Bélgica. Em defesa do capitão norte-americano surgiram duas figuras históricas do futebol do país: Landon Donovan e Tim Howard. Ambos mostraram empatia pelo momento difícil do atacante, mas deixaram um apelo claro para mudanças na forma como o jogador — e quem o rodeia — gere a sua carreira fora das quatro linhas.Num episódio do podcast Unfiltered Soccer, que Donovan coapresenta com Howard, o antigo internacional sublinhou que compreende o que Pulisic está a viver, recordando o turbilhão que sentiu quando a seleção dos EUA caiu na fase de grupos do Mundial 2006, competição em que era o rosto da equipa. “Já estive nos seus sapatos. Levei isso para a terapia, obrigou-me a olhar para a minha vida e carreira com honestidade e acabou por mudar a minha vida para melhor”, partilhou Donovan, numa mensagem de identificação e apoio ao atual líder da equipa.
Ainda assim, Donovan foi contundente relativamente ao círculo que rodeia Pulisic. O ex-capitão falou com franqueza sobre o ambiente em torno do avançado, apontando o dedo a agentes, familiares e outros influenciadores. “As pessoas estão fartas da forma como as coisas são geridas à sua volta. Não é necessariamente ele, mas sim quem o influencia. Tratam mal as pessoas, recusam entrevistas, criam a sensação de que ninguém se pode aproximar. Ele tem de assumir e ter uma conversa séria com eles, porque isto não o está a ajudar”, alertou.
No plano desportivo, Pulisic — atualmente no AC Milan — terminou o Mundial 2026 sem golos e com uma assistência. Uma lesão no gémeo condicionou-o durante a fase de grupos, obrigando-o a falhar partes dos três jogos, e um problema no tornozelo levou-o a sair mais cedo do encontro dos oitavos diante da Bélgica. No pós-jogo, a sua frase à repórter Jenny Taft, da FOX Sports — “tenho tempo para descansar” — incendiou as redes sociais, sendo vista por muitos como desajustada ao momento.
Tim Howard, ex-guarda-redes e companheiro de Donovan no podcast, também deixou uma leitura de proteção, aconselhando Pulisic a afastar-se das redes sociais por uns tempos. Reconheceu que a postura do avançado pode ter “irritado algumas pessoas”, mas considerou que a aparente “nãochalance” é, na verdade, um mecanismo de defesa. “Não invejo o lugar em que ele está. É quase impossível acreditar que, sendo líder da equipa e melhor jogador, saindo magoado e eliminado de um Mundial, tenha dado uma entrevista genuinamente indiferente. Há outra coisa a acontecer ali”, afirmou Howard.
Este não é, contudo, o primeiro episódio de fricção pública entre Donovan e Pulisic. O antigo internacional já havia criticado a decisão do avançado de abdicar da Gold Cup 2025 para descansar. O próprio Donovan admitiu que não mantém “uma grande relação” com Pulisic, mas, apesar disso, deseja que o camisola 10 mude a forma como se relaciona com media e adeptos para evitar um afastamento do público. “Ele tem um grande desafio pela frente. No próximo jogo dos EUA, em casa, será que vai ser assobiado quando for anunciado? Talvez. As pessoas estão furiosas. Mas este pode ser um bom momento na sua vida, se muita coisa mudar — e acredito que, mais do que ele, quem tem de mudar é quem o rodeia”, concluiu.
A eliminação perante a Bélgica encerrou a caminhada dos EUA num Mundial alargado e disputado em 16 cidades dos Estados Unidos, México e Canadá. Num palco desta dimensão e com expectativas elevadas no país anfitrião, a gestão da imagem e da proximidade com adeptos e comunicação social ganha peso extra — exatamente o ponto que Donovan e Howard pedem a Pulisic que replique, para recuperar terreno dentro e fora de campo.
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