Base de treinos da Seleção dos EUA (Irvine, Califórnia) — No papel, os Estados Unidos nada teriam a ganhar no derradeiro jogo da fase de grupos do Mundial 2026. Mas quem escuta o balneário percebe o contrário. A equipa de Mauricio Pochettino venceu os dois primeiros jogos — algo inédito há 96 anos —, carimbou desde já o apuramento para a Ronda de 32 e assegurou o 1.º lugar do Grupo D. Ainda assim, a palavra de ordem é clara: vencer a Turquia.
Na véspera do duelo, Pochettino confirmou alterações no onze, nomeadamente a gestão dos titulares em risco de suspensão por acumularem amarelos. O objetivo é evitar castigos na próxima ronda, mas sem abrandar: os substitutos entrarão com mentalidade de jogo decisivo.
“Todos vão ser chamados em momentos e funções diferentes. Estar preparado é o mais importante para cada um”, sublinhou o central Mark McKenzie, um dos oito dos 26 convocados que ainda não somaram minutos no torneio. Alex Zendejas, igualmente por estrear, reforçou a ideia: “Tenho treinado forte, à espera da oportunidade — é uma decisão do treinador”.

A principal dúvida passa por Christian Pulisic. O atacante falhou o jogo com a Austrália por lesão na barriga da perna, mas assegurou poder iniciar a partida se for opção. Ainda assim, tudo aponta para prudência por parte do selecionador. A seguir está o mata-mata, a 1 de julho, em Santa Clara (Califórnia), possivelmente frente à Bósnia e Herzegovina — seleção que eliminou a tetracampeã Itália em março, no play-off europeu.
Max Arfsten deverá render Antonee “Jedi” Robinson no lado esquerdo da defesa, depois de o habitual titular ter visto amarelo frente aos Socceroos. A competitividade interna mantém-se alta: “Duas vitórias mantêm a energia lá em cima e três seriam ainda melhores. Independentemente de já estarmos apurados, os treinos seguem intensos. É a cultura criada pelo treinador: todos têm algo a provar”, apontou Arfsten.
Na conferência de imprensa, Pochettino foi taxativo: quem jogar no Los Angeles Stadium terá de o fazer “como se fosse a final do Mundial”. A mensagem também veio do grupo. “Acho que estes rapazes merecem, se tiverem a oportunidade”, disse o defesa Chris Richards, também ele em risco por amarelo. Pulisic alinhou pelo mesmo diapasão: “Vamos apoiar todos da mesma forma, seja qual for a decisão. Estaremos prontos — mostra a profundidade e a força desta equipa”.
Ninguém encara este jogo como “pro forma”. É o maior palco do desporto mundial. “É um Mundial. Se isto não entusiasma, não sei o que entusiasmará”, rematou Richards. E Pochettino fixou o objetivo sem rodeios: “Precisamos de ganhar. Não tenho dúvidas de que a equipa que entrar em campo vai corresponder.”
