Antonin Panenka é uma instituição do futebol mundial. Foi dele a ‘cavadinha’ que batizou o penálti “à Panenka”, aplicada com sucesso no remate decisivo da final do Europeu de 1976, que deu o título à Checoslováquia frente à Alemanha Ocidental. Cinquenta anos depois, o antigo médio voltou a falar desse momento em entrevista à La Gazzetta dello Sport.
“Não estava 100% certo de marcar, mas 1000%”, recorda Panenka, que admite ter vivido um pós-jogo peculiar com Sepp Maier, o guarda-redes alemão batido nesse penálti. “Durante 35 anos não me falou. Diziam que treinava dardos na garagem com a minha cara como alvo. Depois perdoou-me.”
Panenka assume que a ousadia tinha também um propósito de espetáculo: “Sempre me considerei um homem de espetáculo, queria divertir as pessoas.” E contou como nasceu a ideia. No Bohemians, após o treino, fazia apostas com o guarda-redes Hruska: batia cinco penáltis; se marcasse todos, o colega pagava cerveja e chocolate; se defendesse um, pagava Panenka. “Comecei a pagar: muito, demais. E pensei que os guarda-redes se atiram sempre para um dos postes.”
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A final de 1976 não foi sequer a estreia da ‘cavadinha’ em jogo. “Já tinha batido uns vinte assim, só falhei um, num particular em 1975. O relvado era uma poça; o guarda-redes ficou parado porque não queria sujar-se. Não tinha pensado nesse cenário.”
Houve também gestão dentro da própria seleção. “Só com o guarda-redes Ivo Viktor. Não o ouvia; ele ameaçava-me”, brinca o herói checo.
Sobre a execução, Panenka descreve a receita: “Corrida rápida, direta, longa. Sem abrandar ou fazer truques, tens de convencer o guarda-redes com o olhar de que vais bater um penálti normal.” E sublinha o orgulho por ver a sua marca replicada por craques de várias gerações: “Quando o Totti o fez permitiu redescobrir o meu. Lindíssimo. E é um orgulho vê-lo nos pés de campeões como Messi e Zidane. Hoje é mais difícil do que antigamente.”